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Dona
Rosa Magalhães não morreu, porque a vida eterna, a
imortalidade é dos que defendem os pobres. É
inadequado dizer-se que ela descansou, já que Dona
Rosa Magalhães nunca demonstrou cansaço. O trabalho
para ela era a felicidade, tanto é assim que, nos
seus últimos momentos, continuava no posto de
professora, dando lições de amor ao próximo, lições
de humanitarismo; pedindo que se construa uma
clinica simples, modesta - enfatizava - lá para aquelas
famílias que tinham filhos na escola do carente
Bairro da Macambira. De modo que, a frase latina do
"requiescat in pace!" (que descanse em paz!) não se
lhe aplica em absoluto. Primeiro, porque ela não
estava cansada e, segundo, porque nunca foi no
descanso que Dona Rosa buscava a paz e sim no
trabalho, na labuta em favor dos pobres, pois assim
é que se obtém a paz de espírito, a paz da
consciência do dever cumprido; a paz dos que lutam e
por isso mesmo não temem a morte. Cruzam com esta e
nem tomam conhecimento; como se a morte não
existisse . Ignoram-na. Tanto é assim que a agonia
de vários dias Dona Rosa passou-a conservando na
mais completa lucidez, fazendo sinceras e
profundas declarações de amor aos seus alunos e
ex-alunos que atenderam ao seu último chamamento, à
sua derradeira chamada; pedindo-lhes abraços e
distribuindo beijos à face daqueles que mais
trataram de honrar a figura impoluta da mestra.
Lindo! Era como se quisesse dar suas últimas aulas
sobre a forma correta, a verdadeira forma de morrer
dos justos, daqueles que se entregam as causas dos
despossuídos, sem esperar recompensas.
Dona Rosa Magalhães foi uma Dolores Ibarrure
cabocla, uma "Pasionaria", pois aquela morreu numa
idade desta e, como esta, foi, até em seus últimos
momentos, uma combatente, uma lutadora inflexível em
favor dos humildes, dos mais pobres.
Que seus alunos sejam iguais a ela, incansáveis na
liça contra a ignorância, defendendo concretamente
os direitos dos pobres à escola, à cultura. Que
tratem de imitá-la, se acaso aspiram à vida eterna,
ou seja, à condição de imortal da saudosa Profª.
Rosa Magalhães - a mais abnegada educadora de toda a
Bacia do São Francisco - a Rosa Imperecível.
Clodomir Santos de Morais
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