Viagem histórica em três partes
 Cristóvão José Zygmunt Wieliczka

1a. parte: Antes de 25 de março

Coisas da vida. Jurandi Assis nunca quis voltar para a sua terra por conta própria.
Apesar de ter para tanto, recursos de sobra, sempre imaginou um dia ser convidado pela cidade. Dito e feito.Não é que o destino se incumbiu disso!
Em 2009 o município baiano de Santa Maria da Vitória, onde nasceu Jurandi Assis, completa 100 anos.

Não podendo deixar passar em branco tal data, a prefeitura resolveu fazer uma grande festa e homenagear as pessoas ilustres nascidas naquele povoado distante - distante digo para nos que moramos em São Paulo - e que tem nada mais nada menos do que cer ca de 40.000 habitantes.

Tudo começou em fevereiro quando Jurandi recebeu uma ligação telefônica de Santa Maria da Vitória de seu velho conterrâneo Joaquim, que administra a Casa da Cultura, dizendo que o prefeito resolveu em função das datas convidar Jurandi para comemorar seus 70 anos em sua cidade natal.

Jurandi depois de uma longa e emocionada conversa com Joaquim logo em seguida me ligou dando as boas novas. Já não me lembro exatamente o dia do mes de fevereiro que foi, mas sei que foi numa semana que recebemos uma série de boas notícias e esta foi uma delas.

Na conversa com Joaquim, Jurandi impôs a prefeitura uma condição para aceitar o convite, que ele fosse acompanhado de Cloves Teodoro dos Reis, o entrevistador do programa Brasil em Foco e seu cameraman Alexandre Verderano de Souza e eu.
E não é que a prefeitura aceitou!
Pois bem, nesta quarta feira, 18 de março, recebi via e-mail do Joaquim, de lá dessa distante terra baiana, os números do localizador das passagens da Gol.

Avisei meus companheiros de viagem, Jurandi, Cloves e Alexandre.
A expectativa é grande pois não é todo dia que um convite desses aparece.
Embarcaremos de Congonhas para Brasília na manhã do dia 25 de março e de lá seguiremos para a terra de Jurandi numa van. A partir do embarque no taxi que nos levará para Congonhas começarei a relatar o início desta aventura. Me aguardem pois a 2a. parte será bem longa.


2a. Parte: De 25 a 30 de março

Acompanhado de seus amigos, Jurandi chegou a Santa Maria da Vitória na noite de 25 de março. Foi calorosamente recebido pelos representantes do povo e dezenas de pessoas. No dia seguinte uma verdadeira delegação da prefeitura o acompanhou numa maratona de visitas por escolas públicas e estabelecimentos de saúde onde fez palestras e foi sempre calorosamente aplaudido. Recebeu inúmeros presentes e muitos jovens e crianças lhe renderam homenagens através de canções e poesias. Foi recebido pelo prefeito e pela Câmara Municipal. Em sua homenagem a Câmara Municipal lhe concedeu uma placa e foi condecorado com uma medalha de "Honra ao Mérito Artístico" por seu talento e obra, medalha Francisco Biquiba Lafuente Guarany pelo seu exemplo de um homem simples do interior da Bahia, que por sua determinação venceu na vida e se tornou um ex emplo para todos os Santamarienses. Jurandi durante a sua permanência em Santa Maria da Vitória teve a oportunidade de rever velhos amigos de infância e dar boas e saudosas gargalhadas.

Visitou uma tia muito querida e sua família e matou saudades indescritíveis. No dia de seu aniversário teve uma imensa fotografia sua exposta na fachada do antigo paço Municipal. Bolos de aniversário e parabenizações é o que não faltou. Durante dias a cidade toda estava em festa. Por onde Jurandi passava era cumprimentado e abraçado. Fotografias suas foram tiradas mais de mil e deu autografos de quase cansar a mão. Durante o dia todo recebeu ligações telefônicas de seus familiares e parentes distantes, tanto de São Paulo, como de seu primo de Salvador. Na noite de domingo, 29 de março, véspera da viagem de retorno a São Paulo um ar de saudade foi tomando conta de Jurandi. Jantou com sua equipe pela última vez à beira do rio Corrente e estendeu aquela noite o máxi mo que pode pois quem saberia dizer quando novamente retornaria a Santa Maria da Vitória. Deixou a cidade na manhã de segunda feira com a tradicional fibra de um baiano valente.

Estávamos no veículo que nos levava a Brasília para de lá tomar um avião para São Paulo, quando numa rua de onde ainda se avistava o rio Corrente percebi uma lágrima escorrendo pelo rosto de Jurandi. Seria uma lágrima provocada pelo vento ou pela emoção do momento. Não sei, mas que para Jurandi Assis, sua comitiva, e para todo o povo de Santa Maria da Vitória, vivemos momentos únicos e por que não dizer históricos.

3a. Parte: Depois da viagem

Breve.